28 março 2006

Distante...

Agora que a noite se põe, e eu aqui, deitado, guardo nos braços essa criança, me vem à mente a última imagem que tive de Sophia. Distante.

Com os olhos fechados não vejo a mim, mas posso vê-la, Soph. A metros de mim. Quinhentos metros de mim. E nesses quinhentos metros os teus belos olhos desaparecem, com a claridade de teu rosto e a fascinação de tuas palavras. Na distância tudo se torna muito reduzido... Tuas amáveis singularidades fundem-se em uma sombra neutra e vulgar. Ao longe, caminhas como qualquer pessoa e é só o que resta de ti, enquanto te vejo sumir.

Bem sei que tendes muitas inquietações. Mas me consolo com a certeza de que talvez guarde lembranças. Há um mês de maio na tua memória, e um campo em flor, e depois muitas, muitas cidades grandiosas e indiferentes, e teatros acesos, ramos de flores, risos, vozes, adereços de ametista. Bem sei. Bem sei que tudo isso está agora a mais de quinhentos metros, e ainda de longe continuas a lembrar. Mas para quem te olha na distância, essas jóias que levas contigo deixam de existir. As canções que aprendestes e a dor que sabes, nada se avista daqui. És uma sombra por trás de meus olhos; tuas decisões estarão fora de meu alcance, como estás fora de minha vista.

Nessa distância há muita ausência. Somos só desaparecimento.


Ah, Sophia minha! Somente quando consigo ficar a uma certa distância de mim mesmo é que encontro algum sossego. Porque é quando meus tormentos mudam também de posição e aspecto, por eu vê-los só de longe, sem pormenores, sem mês de maio, sem flores. Talvez uma memória serenada. Talvez nem a memória...

6 comentários:

Anônimo disse...

"Nessa distância há muita ausência.
Somos só desaparecimento."

Cássia Piccinin disse...

Cante uma de tuas canções, querubim branco. Elas te trazem para mais perto.

Anônimo disse...

Nada me leva para perto.

Portões fechados, espadas quebradas e minhas canções perdidas para sempre.

"Só você compreendia minha alma, e agora,outros chegam apenas para saquear as riquezas de meu coração."

Por que não me protege mais?

Cássia Piccinin disse...

Dizem que estais tomado pelo espírito da Loucura, Príncipe Branco. Que devo fazer por ti?

Anônimo disse...

Amor é a forma mais refinada de Loucura.

Anônimo disse...

Eu sou o Rei!!! Ò______Ó
Lutarei contra as trevas e libertarei o meu Jardim!!!

Lawrence!! Cavaleiro da Longa Noite! Eu te desafio! Venha, e tire a coroa de mim!!!